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"Pode falar que eu não ligo, agora, amigo, eu tô em outra, eu tô ficando velha, eu tô ficando louca."

_ A gente tem quanto tempo de namoro?
_ Não lembro, não.
_ Como? Você não lembra?
_ Duvido que você sabe qual foi a primeira música que eu cantei pra você.
_ Mas a gente tá falando de data e não de música; músicas nos temos muitas…
_ Ah, então você não acha a nossa primeira música importante?
_ Eu não disse isso, mas se for pra falar de importância, se eu fosse mais importante você teria atendido o meu telefonema na semana passada.
_ Você sabe que eu não podia; tava ensaiando.
_ Até sua maldita banda é mais importante do que eu.
_ Seus livros são mais importantes do que eu.
_ Pink Floyd! Você cantou Pink Floyd!
_ Não! Eu cantei Bob Dylan.
_ Você cantou Bob Dylan quando disse que me amava na primeira vez, foi quando me acompanhou pra comprar o livro da Clarice Lispector…
_ Lembro! Até você disse que ela tinha um romance com o Fernando Sabino e eu disse que não…
_ Claro que teve!
_ Não teve, não. Agora vai dizer que Parmênides é melhor do que Heráclito!
_ A gente já discutiu essa história e você sabe que Heráclito é…
_ Incrível! Assim como A Insustentável Leveza do Ser é melhor do que Madame Bovary.
_ Nunca, meu bem, nunca! Flaubert foi o melhor da história!
_ Ah, claro, assim como Godard é melhor do que Truffaut, né?!
_ Godard só foi bom antes dos dois brigarem…
_ Mas bem que gostar da Anna Karina, você gosta.
_ E o que ela tem a ver com isso?
_ É como dizer que a inspiração não vale de nada pra criação.
_ Não ponha palavras na minha boca!
_ Chata!
_ Grosso!

Sentados na mesa, cada qual olhando para um lado.
Hugo pega um guardanapo e inicia uma série de dobraduras.

_ Pardalzinho…
_ O que quer?
_ Retardamos uns três anos, nessa última conversa.
_ Está me chamando de criança?

Hugo tenta segurar-lhe a mão, enquanto esta tenta puxá-la.

_ Um ano e três meses, Lívia.
_ Oi?

Lívia olha para sua mão e sob ela estava repousado um origami em formato de coração.

_ Nós, nós dois… Temos um ano e três meses de namoro.

Com os olhos marejados d’água, Lívia aproxima-se de Hugo; este ajeita-lhe os cabelos e logo em seguida percorre-lhe a ponta dos dedos por toda a face até pousá-los nos lábios de Lívia. Aproximando os lábios dos dela, toca-lhes e sussurra:

_ Eu a amo!

Beijam-se.

Outono de Mim, “Curta Imaginário I”.   (via rendada)

Quem garante que seguindo adiante eu possa enfim viver? Sem me comparar, sem entristecer, sem tentar mudar, sem poder entender… não dá. Eu vou ter que sair pra poder voltar.

Tiê (via pseudoencanto)

Quando voltar do trabalho, olhe para cima e repare: no meio dos prédios altos, frios e cinzentos, todos os postes de luz, com seus fios, adormecem de mãos dadas.

— Rita Apoena (via re-can-to)

Que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.

— Manoel de Barros. (via re-can-to)